By fe1st

Hiato (ou uma história de moto sem moto)

H

Vazio, pausa, lacuna, interrupção. Sinônimos de exatos 150 dias distante da Rafa. Um tanto mais de sentimentos também traduziram esta mini-eternidade.

 

Ao trocar um trajeto que levava 30, 40 minutos por 2h30 (duas horas e meia!!!!) ou até mais de transporte coletivo, era impotência, desolação. Definitivamente eu não aceitava gastar um quinto ou um quarto do dia em locomoção, ainda mais sem ter o espírito preparado para isto. 😜

E carro não era uma opção, por um custo bem elevado, ficar pouco tempo menos que o ônibus não era racional.

Dores físicas, que apesar de não estarem classificadas como sentimento, ah, eu as sentia! O corpo me lembrava diariamente por meses. Mesmo não sendo um acidente de graves consequências, passei por um período de “reabilitação”, com a cicatrização no pulso e na perna (por conta de uma fricção da calça jeans), além de constantes dores na bacia e joelho, traumas decorrentes do impacto.

Raiva, quando o motorista, que causou toda esta situação, desaparecia, sem dar sinal de vida por semanas ou dava desculpas para não assumir o acidente, e assim me deixar com todo prejuízo.

Quando finalmente parecia ter sido resolvido, um novo desafio: o desembaraço burocrático:

Avaliação das peças a serem substituídas, que quase resultou em perda total, seguida da perícia do seguro, férias coletivas da Kawasaki do Brasil (pra quem a concessionária solicitara as peças), troca de concessionária, porque a Fittipaldi tinha restrição com a fábrica 🤦🏼‍♂️, nova perícia, nova encomenda de peças, demora no recebimento, pedido incorreto, mais uma perícia para aprovar as peças adicionais, e o inconformismo só crescia. A entrega se arrastava e os novos prazos iam vencendo, um a um.

Mas não só de coisas negativas foi o período. Uma nova oportunidade de viver, um recomeço. A  de que não foi à toa, e uma nova chance se abria.

 

CIMG5340Estamos indo de volta pra casa…

 

Esperança

Março de 2013, enfim estava pronta pela Casarini, de volta ao lar, para uma companhia ininterrupta que já tem 120mil km APÓS aquela queda.

Capacete e jaqueta novos e todo o restante dos itens de proteção desde então fizeram parte da rotina. Não poderia esperar por uma outra oportunidade. Mas o mais importante, eu já estava pronto para mudar de atitude!

Por fim, a insegurança dos quilômetros seguintes, a perda de confiança. Mas, de mais marcante, me lembro até hoje de sentir, ao passar pilotando pela primeira vez desde o ocorrido, no local do acidente, o corpo inteiro arrepiar

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Fernando Ribeiro

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Por Fernando Ribeiro
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