By fe1st

(Mais) Chão!

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Algumas situações em nossas vidas são extremamente marcantes, o impacto é tão grande, que a mudança de comportamento, da forma de pensar e encarar o mundo são alterados. Geralmente mudamos o norte em momentos de muita exaltação ou perda.

Com todos os episódios de encontro com o pavimento do post anterior, quis destacar um em especial. O divisor de águas no relacionamento sobre duas rodas. Para quem me conhece, sabe que sair de moto inclui sempre, além do capacete, luvas, botas, calça e jaqueta de cordura, e mais recentemente balaclava, mas nem sempre foi assim. Bota e calça eram itens basicamente para chuva (vou falar a respeito de equipamentos/vestuário mais pra frente).

10/10/2012

Passados alguns meses da primeira queda. Dia bonito, ensolarado, indo para o trabalho em um horário depois do rush (consequentemente pista mais vazia e menos corredores a percorrer). A Rafa vinha da revisão dos 6 mil, estava limpinha, abastecida, feriado prolongado a vista. Cenário mais que favorável para fazer um bate-volta ao litoral, enfrentar a selva de pedra…

Em um pequeno trecho da rodovia no qual havia muitos carros, resolvi deixá-los para trás. Já longe do “perigo”, estávamos de volta à velocidade de cruzeiro. Aqui vale uma explicação: com alguns milhares de quilômetros rodados, já me sentia relaxado na moto. O problema foi a inocência e despreparo para todas as variáveis do trânsito. Sobre uma moto, apesar do Código de Trânsito Brasileiro destacar que a responsabilidade é sempre dos veículos maiores para os menores (até chegar no pedestre, Art. 29, §2), deve-se sempre se preocupar com a sua própria integridade física, ainda  que seja necessário abdicar do direito e eventualmente da razão.

E aliado a falta de concentração/atenção, não antevi que um carro tentaria uma ultrapassagem, sem dar seta e trocando de faixa repentinamente, justo na minha frente !!!!

Como reação, “alicatei” a manete de freio, mas sem muito espaço e tempo, atingi o parachoque traseiro e…

…um mundo passou à minha frente, em poucos segundos. Ângulos, sons, sensações e uma distância do asfalto que raramente eu vivenciei, e não pretendo voltar

A visão da estrada deu lugar a rodopios, o som do motor e do vento ao barulho de coisas caindo e batendo, (mais um) chão!

Ter me desvencilhado dos carros poucos minutos antes me deu uma vantagem, pois caí, rolei e me levantei, antes dos carros efetivamente chegarem (ou estarem próximos, o que seria pior). Um deles inclusive parou para socorrer. 😇

Mas eu estava bem, não havia nada de mais grave, nenhuma fratura, somente um ferimento no pulso. Quem não estava era a Rafa, na grama do canteiro central, e me deixou arrasado. Carenagem, guidão, setas, quase tudo machucado. Com o coração e orgulho ferido, queria seguir viagem, afinal tinha minhas responsabilidades, compromissos, e o dever moral de se levantar após uma queda e prosseguir.

 

IMG_9582

 

O motorista parou a algumas centenas de metros no acostamento e voltou caminhando pelo acostamento, passou o contato e se foi. Estava tão chateado que mal me importei com ele.

Uma equipe de resgate da rodovia chegou e em seguida a polícia rodoviária. Dispensei o socorro, fui fazer boletim de ocorrência, acompanhei a Rafa até a concessionária para só depois ir atrás da minha avaliação médica. 😛

Poderia buscar razões do porque este acidente ocorreu, o que teria sido feito para evitar, mas o fato é que eu já havia tomado a decisão: dali em diante, graças a esta nova oportunidade: só sairia de moto devidamente paramentado/equipado, e esta seria somente a primeira e mais aparente diferença.

 

IMG_3526 O troféu da sobrevivência:

 

 

Só não sabia que teria que esperar por tanto tempo…

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Fernando Ribeiro

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Por Fernando Ribeiro
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